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As vendas para a cadeia alimentícia também são a aposta para suavizar as perdas nos próximos meses, dizem executivos. Mas sinais de melhora consistente podem surgir só no ano que vem.

São Paulo – A inovação tem ajudado as fabricantes de embalagens a evitar um tombo maior nas vendas este ano. Mas a estratégia não deve ser suficiente para reverter a queda acumulada pelo setor desde 2015.

Nos últimos 12 meses, até maio, a produção de embalagens de papel, cartolina, papel-cartão e papelão ondulado caiu 5,6%, a de material plástico baixou 6,2% e a produção de metálicas cedeu 1,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As encomendas da indústria de alimentos, que também vêm ajudando a conter as quedas em embalagens, seguem como uma das apostas para reduzir perdas nos próximos meses.

“Não temos um horizonte definido para prever uma melhora, porque a retomada depende muito do ciclo de recuperação que envolve outros setores da indústria. Mas em 2017 podemos ver a produção de embalagem voltando a apresentar alta, após uma sequência de quedas”, disse a diretora executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino.

Segundo ela, a indústria de alimentos lidera a lista de principais compradores de embalagens no País, seguida de perto por bebidas, higiene pessoal e cuidado para casa. Esses são os poucos segmentos nos quais as vendas de embalagem caem menos.

“Todos os tipos de embalagem vidro, papel, plástico, meta apresentam dificuldade, mas cada segmento tem tentado se diferenciar para incrementar as vendas. Isso inclui a oferta de soluções para formatos menores, uma das principais demandas da indústria de bens de consumo”, disse.

Luciana também observa essa mudança na demanda do segmento de bebidas, cuja estratégia de diversificar a oferta de embalagens ganhou mais força em meio a retração do consumo no mercado interno.

“Esse movimento de entender e oferecer cada vez mais o que o consumidor final busca tem ajudado de certa forma a incrementar as vendas da indústria de embalagens.”

Valor agregado

Mesmo que a tendência de adaptação das indústrias de bens de consumo muitas vezes seja caracterizada pela substituição de um tipo de embalagem por outro, Luciana ponderou que é nessa troca que os fabricantes do setor têm oportunidade de inserir formatos com maior valor agregado.

“Principalmente para linhas de produto de consumo com preço maior, os clientes industriais estão dispostos a investir no redesenho e em embalagens diferentes”, citou ela.

A fabricante de embalagens Bemis conta com isso para ampliar os ganhos no País. A linha de embalagens flexíveis presentou melhor desempenho em relação aos produtos rígidos da companhia norte-americana nos últimos anos.

Para o diretor de marketing e novos negócios da Bemis no Brasil, Luiz Henrique Duarte, o avanço de flexíveis é explicado por diferentes fatores, mas o potencial de customização e o menor peso desse tipo de embalagem são as principais vantagens ante outros formatos.

“Apesar do recuo no setor de embalagem brasileiro este ano, vemos nessa estratégia de buscar inovações e trazer diferenciais para o mercado o caminho para estabelecer um bom ritmo de crescimento nas vendas”, disse Luiz. Ele projeta ampliar em até 2% o volume vendido pela empresa no Brasil este ano, depois de crescer 4% no ano passado.

Diante avanço em flexíveis no País, a Henkel também está investindo em soluções para aumentar a rentabilidade dos negócios em embalagem. A empresa anunciou recentemente o uso de uma nova tecnologia de látex sintético para embalagens flexíveis com foco na indústria de alimentos.

“O diferencial do nosso produto é a tecnologia agregada e vemos nesse nicho de alimentos surgirem novas exigências. Abrindo espaço para explorarmos oportunidades com itens de maior valor agregado”, explicou ao DCI o responsável pela área de adesivos industriais da Henkel no Brasil, Argentina e Chile, Andre Baron.

Fonte: Jornal DCI

http://www.dci.com.br/industria/setor-de-embalagens-ve-producao-cair-mesmo-com-reforco-em-inovacao——-id561222.html