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Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food

Resumo: Este artigo traz uma visão geral dos principais requisitos de uma embalagem para acondicionamento de alimentos para animais de estimação. O foco são as embalagens plásticas flexíveis, o grande volume deste mercado.

Palavras-chave: embalagem, pet food, requisitos.

A importância da embalagem.

A população de animais domésticos cresce na proporção do número de habitantes no Brasil, ganhando cada vez mais espaço dentro das casas dos brasileiros. Com isso, o aumento no consumo de produtos para a linha pet ganha destaque.

A embalagem é um dos principais meios de diferenciação e valorização do produto. Ela deve informar ao consumidor a formulação do produto, a intenção de uso e o seu valor. Estima-se que apenas 5% dos produtos existentes para a venda possuem propaganda massiva na mídia. Frente a esse panorama, a embalagem assume papel de peso na hora da compra de alimento industrializado para animais domésticos. Com a expansão do mercado a embalagem deve ser eficaz não apenas como meio de comunicação para conquistar quem compra o produto – o dono do bicho. Ela precisa conquistar também o bicho. Para isso é fundamental que a embalagem resguarde a integridade de seu conteúdo, mantendo assim todas as características requeridas pelo fabricante do alimento até o momento do consumo.

Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food

A embalagem deve ser segura, afinal é um insumo como outro utilizado no processo. Ela é também o símbolo do produto, como por exemplo, os frascos de perfumes ou o extintor de incêndio. O fabricante da embalagem deve assegurar que todos os procedimentos de fabricação do produto sejam garantidos através da implantação de normas de boas práticas de produção e de preferência ter um estudo de HACCP implementado, controlando todos os perigos provenientes da embalagem.

Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food

Propriedades das embalagens para Pet food.

Os principais tipos de alimentos para pet food são classificados como úmidos, semi-úmidos e secos. As embalagens basicamente são feitas de alumínio, como as latas para as refeições prontas e embalagens plásticas flexíveis utilizadas para snacks e alimento seco.

Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food

As principais propriedades requeridas para o alimento industrializado para os animais domésticos são as que preservam o produto, auxiliam ou mantém os processos de conservação e as que atuam no marketing e venda.

Para que a embalagem cumpra sua principal função, que é proteger o produto, ela precisa de algumas propriedades, que variam de acordo com o shelf life e o tipo do produto.


Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food Barreira à luz: O bloqueio da entrada de luz evita a degradação dos nutrientes encontrados nos alimentos para cães e gatos, como vitaminas, proteínas e gorduras. A luz é ainda mais crítica nos alimentos úmidos e semi-úmidos, como os bifinhos, refeições prontas e rações com alto índice de vitaminas.

A barreira efetiva à luz é conseguida através da aplicação de filmes de alumínio, através de filmes plásticos com metalização técnica e utilização da folha de flandres no caso das latas.


Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food Barreira à gordura: A passagem de gordura em embalagens para alimentos pet, tem se tornado uma das grandes preocupações no desenvolvimento de novas tecnologias para esta aplicação. A gordura pode se juntar à poeira, comprometendo a imagem do produto, prejudicando as vendas e podendo comprometer a fixação de tintas e adesivos da embalagem.

A barreira à passagem de gordura depende do polímero e da espessura do filme utilizado na produção da embalagem. Os materiais que possuem melhores performances neste requisito são: alumínio e o vidro, nos materiais plásticos o nylon, o pet, o PP e o PEAD.

Um ponto que deve ser observado na formatação da embalagem que contribui para a saída de gordura são as furações para saída de ar. Muitas embalagens plásticas recebem os furos de saída de ar, eles podem se tornar uma fonte de escape da gordura.

O método utilizado para medir a barreira à gordura foi desenvolvido pelo CETEA-ITAL que mede o tempo em horas que ocorreu falha na barreira à gordura da estrutura, sob determinadas condições. Uma estrutura que pode ser considerada excelente no requisito de migração de gordura quando resiste a mais de 168 horas de exposição.


Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food Barreira à umidade: O aumento do teor de umidade em alguns alimentos pode acarretar efeitos indesejáveis como o crescimento de microorganismos, alterações na cor e sabor e perdas nutricionais. A barreira à umidade é muito importante para os alimentos dos cães e gatos, pois mantém a crocância dos pellets, a maciez e evita a proliferação de ácaros.

Dentre os materiais utilizados na fabricação de embalagens plásticas, o polietileno é o que possui a maior barreira a este agente. Dentre as suas variações, o de alta densidade tem maior barreira, seguido pelo de média e por fim o de baixa densidade.


Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food Barreira a gases: Dentre os gases que devem ser barrados estão o oxigênio, além dos aromas naturais do alimento. Como os animais têm olfato apurado, qualquer alteração no aroma pode acarretar em rejeição do produto.

Os materiais plásticos mais utilizados nestas embalagens são em ordem decrescente de barreira à gases:

Nylon <PET<BOPP<PP<PE.


Resistência Mecânica e Integridade de fechamento

Um dos problemas encontrados no acondicionamento de grandes volumes de alimentos para animais domésticos é a resistência mecânica. Na cadeia produtiva até a casa do comprador, estas embalagens sofrem diversos impactos e muitas vezes há o rompimento da solda e também a abertura da embalagem. O acondicionamento excessivo de ar também pode acarretar problemas na estocagem e se a embalagem possuir barreira à oxigênio, este não sairá dela e reagirá com o produto ali acondicionado.

Não existe um polímero que reúna todas as características necessárias para estes produtos, como as barreiras requeridas e mais a resistência mecânica. Geralmente o que encontramos são as propriedades de barreira à gases e gordura inversamente proporcionais a resistência mecânica e soldabilidade. Por isso, para contornar este problema utilizam-se alguns recursos na fabricação das embalagens como a laminação e a coextrusão.

A coextrusão é basicamente a fusão de materiais distintos para a formação de um filme com estrutura multitarefa. Assim, é possível combinar numa só parede as características necessárias para tratar problemas distintos. Ela é flexível, permitindo a criação de filmes com necessidades específicas.

A laminação e a união através de adesivos de dois ou mais filmes reúnem várias propriedades em uma única embalagem. Nesta técnica a maioria das propriedades de barreira são melhores, porém dependendo dos materiais laminados, outras propriedades como a resistência mecânica podem ter uma diminuição na sua perfomance. Por exemplo, o polietileno tem uma boa resistência mecânica e ao rasgo,  porém quando o laminamos com um filme de pet bi-orientado estas propriedades são  afetadas negativamente.

Estruturas e propriedades.

Tratando-se do universo de embalagens plásticas flexíveis, a tabela abaixo faz um comparativo entre as principais estruturas e propriedades das embalagens utilizadas no acondicionamento de alimentos secos e semi-úmidos para animais de estimação.

Estrutura
Espessura
Média (μm)
por parede
Resistência
Mecânica
Barreira
umidade
Barreira
Oxigênio
Barreira
à luz
Barreira
à gordura
Custo
PELBD/PEAD
+
PELBD/PEBD
150
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
$
PELBD/PEBD
+
PET
150
♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦
♦♦♦♦♦
$$$
PELBD/PEBD
+
BOPP
150
♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦
♦♦♦♦♦
$$
PELBD/PA/ PELBD
+
PELBD/PEBD
150
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦
♦♦♦♦♦
$$$$$
PELBD/PEBD
+
PET MET
+
PET TRANSP.
180
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
$$$$$
PELBD/PEBD +
PET MET +
BOPP TRANSP.
180
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
♦♦♦♦♦
$$$$$


Tabela 1: Estruturas de embalagens plásticas e propriedades.

Simbologia:
♦♦♦♦♦ Excelente
♦♦♦ Média Performance
Baixa Performance

Sigla dos polímeros:

PELBD: Polietileno linear de baixa densidade
PEBD: Polietileno de baixa densidade
PEAD: Polietileno de alta densidade
PP: Polipropileno
PA: Poliamida (Nylon)
PET: Polyester
PET MET: Polyester Metalizado
BOPP TRANSP: Polipropileno biorientado transparente.
BOPP: Polipropileno biorientado

A escolha da estrutura correta para o acondicionamento de um novo produto deve levar em conta todos estes fatores e as questões legais de segurança. As embalagens para acondicionamento de alimentos para animais de estimação devem seguir o critério utilizado na Resolução 105/99 da Anvisa, que trata de embalagens plásticas para o contato com alimentos. As boas práticas de fabricação são obrigações do produtor de embalagem, inclusive as indústrias desse segmento no Rio Grande do Sul já possuem uma legislação específica para o assunto.

Referências Bibliográficas:

Ração sequinha e crocante, disponível em http://www.embalagemmarca.com/pdf/EM059.pdf acessado em 04/09/2010

A embalagem, disponível em http://www.abre.org.br acessado em 04/09/2010

Martins, Gilmar Propriedades de barreira de embalagens plásticas, Volume 1, IAP, 1994.

Embalagens para a indústria de alimentos para animais de estimação - pet food - Fabiana Silveira - Supervisora de Engenharia e Laboratório da Mega Embalagens Ltda. Por Fabiana Silveira

Supervisora de Engenharia e Laboratório da Mega Embalagens Ltda.

fabiana.laboratorio@megaembalagens.com.br